segunda-feira, 3 de novembro de 2014

DECLARAÇÃO DE VOTO ORÇAMENTO e GOP DA CMT PARA 2015

1.      QUESTÃO PRÉVIA
Na realidade os partidos políticos representados nos órgãos deliberativos das autarquias locais e que não façam parte dos correspondentes órgãos executivos, ou que neles não assumam pelouros, poderes delegados ou outras formas de responsabilidade direta e imediata pelo exercício de funções executivas, têm o direito de ser ouvidos sobre as propostas dos respetivos orçamentos e planos de atividades, conforme previsto no art.º 5º da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio.
De facto, o PSD de Tomar comunicou telefonicamente, no dia 23 e via email , no dia 24, à senhora Presidente de Câmara, a informar que não estaria presente na reunião agendada para sábado, dia 25 de outubro, às 15H00, pois não compactuava com a atitude da aliança PS/CDU, que gere os destinos da Câmara Municipal.
Considera o PSD não foi cumprida a obrigação de Consulta Prévia na elaboração do Orçamento e Plano camarário, previsto no Estatuto do Direito de Oposição (lei 24/98), colocando assim em causa a oportunidade para as forças de oposição expressarem a sua opinião sobre as linhas de orientação e contribuírem com propostas concretas.
Tendo o Orçamento e GOP que ser aprovados até ao dia 31 de Outubro, não seria plausível que no dia 25 do mesmo mês viessem a incluir nas Grandes Opções do Plano, qualquer projeto ou adotar qualquer linha de orientação que o PSD defende, ainda mais, quando soubemos que o documento se encontrava já fechado desde hoje, sexta feira, ainda mais quando um vereador da maioria, em representação oficial da CMT, afirmou no seu discurso que o orçamente seria fechado no dia 24 de Outubro.
Além do mais constata-se que o documento das GOP não descreve minimamente os investimentos que se pretende levar a cabo, não são descritas as rúbricas, limitando-se a fazer considerações genéricas e académicas, com alusões “poéticas” e algumas até encantadoras, mas que não concretiza de que modo se pretende implementar essas mesmas ideias, mais parecendo um documento de propaganda política.

2.      ORÇAMENTO
a) RECEITA
1. Ao nível da receita observa-se uma pequena descida generalizada por todas as rubricas. No entanto surgem demasiadas rubricas de “outras” com valores muito elevados, casos da rubrica 05.10.99 – Outras – 5.440.000,00€, 06.03.01.99 – Outras – 3.000.000,00€ e assim sucessivamente, parecendo-nos uma violação do princípio da especificação ponto 3.1.1 do Pocal, uma vez que este tipo de rubrica deveria servir para enquadrar algum tipo de receita / despesa que não estão enquadrados nas restantes rubricas;
2. Sem os mapas de execução orçamental trimestrais (que a governação PSD fazia questão de publicar) é dúbia a volumetria desta referidas rubricas, podendo-se deduzir que apenas servem para empolar o orçamento.

b) DESPESA
1. A este nível mais uma vez prevalece a mesma questão das “Outras” rubricas nomeadamente ao nível da aquisição de bens e serviços, em que a aquisição de outros bens – 02.01.21 – tem inscritos 230.200,00€, sendo a rubrica mais elevada em termos de aquisição de bens, excetuando os combustíveis.
2. Ao nível da aquisição de serviços a rubrica 02.02.25 – outros serviços- tem inscrito o valor de 1.300.000,00€ sem que haja explicação do porquê.
3. Ao nível dos investimentos ressalta a verba para software 230.000,00€ que nos parece desproporcionada relativamente outras rúbricas ou outros investimentos, tais como Escolas, no montante de € 80.000,00; Parques e Jardins, no montante simbólico de € 2.000,00; Instalações Desportivas e recreativas no valor de 61.000,00, entre outras.
5. De realçar ainda a questão dos prazos médios de pagamento, em que segundo publicação da DGAL, o Município de Tomar tem estado a alargar o prazo de pagamento a um numero de dias insuportável para os fornecedores, facto que não pode ser deixado em claro pelo PSD.
PMP (n.º dias)
a 31-12-2012

PMP (n.º dias)
a 31-12-2013
PMP (n.º dias)
a 31-03-2014
PMP (n.º dias)
a 30-06-2014
153
363
490
426

A governação de esquerda continua a reafirmar que parte da dívida não se encontrava registada, o que, como já foi amplamento demonstrado, é falso.
Resulta assim que o prazo de pagamento a fornecedores está a aumentar significativamente sendo que a redução da dívida a fornecedores que é apresentada e enaltecida no no documento apenas significa o montante de 287 mil Euros, o que nos parece que não é motivo para tanto entusiasmo.
Ou seja, esta redução deveria ser traduzida também numa redução dos prazos de pagamento, o que não se está a verificar, pelo que pode concluir que esta redução da dívida a fornecedores resulta tão só de uma redução da atividade da câmara.

c) Freguesias
Mais uma vez, e como não seria de esperar outra solução por parte da aliança de esquerda PS/CDU, a mesma continua a querer centralizar nas suas “mãos”, as políticas e projetos que cada uma das freguesias pretende implementar, violando mais uma vez o princípio da descentralização previsto na CRP.
Com efeito, constata-se neste orçamento que continua a senda da redução do financiamento às freguesias do nosso concelho.
O total de transferências para as juntas de freguesia passe de € 751.000,00 para 509.000,00, o q eu dá uma redução do montante de 242.000,00.
Além do mais, nas despesas correntes temos um significativo aumentos de juros, de € 1.885,445,00 para € 2.626,100, sem se entender o que leva a tão elevado aumento de um ano para o outro.

D. DESINVESTIMENTO NO CONCELHO DE TOMAR
De salientar que nas despesas de capital uma redução no investimento e desenvolvimento económico a realizar no concelho de Tomar, à exceção do aumento de capital na rúbrica da habitação social, o que por si só não traduz  qualquer política de melhoria e promoção de habitação social no concelho de Tomar, uma vez que não existe qualquer Plano de Intervenção habitacional e social no concelho de Tomar, conforme o PS havia dito na sua campanha eleitoral, que implementaria em 100 dias e que  até agora nada fez.
Assim, a despesa de capital em 2013 era de 24.075,379, enquanto em 2015 apenas era de € 14.380.726, logo cerca de 10 milhões de Euros.

E. ENGANADORA REDUÇÃO DA DESPESA
Refere o documento que “o PPI para 2015 reflete um abrandamento no investimento das grandes obras” e que a “opção da sustentabilidade é efetiva e a redução do orçamento inicial (…) numa descida de 10,5%.”
Ora, tal afirmação não corresponde à verdade, não existindo qualquer redução real. Com efeito, constata-se que a despesa corrente tem vindo a subir significativamente desde o ano de 2014.
Assim, em 2013 era de € 24.084.621, em 2014 de € 24.736,905 e para 2015 prevê-se o montante de € 25.593,120, havendo ainda a acrescer o montante de despesa corrente que foi transferido para o SMAS, no valor de € 1.339,967, o que aumentaria mais a despesa corrente, para o montante de cerca de € 27.000,000.
Em 2013 o orçamento era repartido 50% em despesas de capital e 50% em despesas corrente e neste orçamento temos 36% de despesa de capital de 64% de despesa corrente, o que traduz um maior peso da despesa corrente no Orçamento CMT.
Concluímos assim, que o orçamento é enganador, não existe uma verdadeira e real redução da despesa e o investimento em Tomar fica completamente comprometido.
Não se percebe a política deste orçamento, que afinal não quer qualquer investimento para o concelho de Tomar, sendo semântico e enganador quanto à habitação social, uma vez que nas Grandes Opções do Plano não vem descrita qual a política concreta de intervenção que nesta área se pretende implementar.

3.      GRANDES OPÇÕES DO PLANO
Perante as opções do Plano e Orçamento que nos são presentes, para análise e votação, para o ano de 2015, entendem os Vereadores eleitos pelo Partido Social Democrata deixar expressa a seguinte posição:
 O Poder Local é uma realidade dinâmica e deve saber adaptar-se ao enquadramento económico e social de cada momento o que impõe uma agenda autárquica flexível e atenta à realidade existente. Daí que se esperava para 2015 uma estratégia de ação com propostas credíveis e concretas direcionadas para a criação de emprego e de riqueza, capazes de estancar a desertificação humana e promover a fixação dos mais jovens, a par de um apoio efetivo à coesão social do concelho.
Este não é claramente o Plano e Orçamento apresentado por esta maioria.
Frequentemente vemos a maioria sublinhar as dificuldades de gestão financeira do seu executivo. A receita é simples, de uso fácil e descartadora de iniciativa, ação e inovação, sendo que a receita corrente subiu cerca de 5 milhões relativamente ao ano de 2013.
Entendemos que em momentos de crise e quase depressão coletiva, a Câmara Municipal, mais do que juntar-se ao rol de queixas e lamentos, deve assumir-se como protagonista da mudança e agente decisivo de progresso e desenvolvimento.
Após  uma leitura atenta aos documentos  temos de confessar que esperávamos mais. Esperávamos uma estratégia clara, uma estratégia de desenvolvimento de progresso e afirmação do concelho na região. E isso não existe, apenas passando por meras intenções desprovidas de qualquer projeto e realidade.
Uma estratégia que acreditamos ser possível de elaborar e concretizar e que confira uma dinâmica que corresponda às expectativas dos habitantes de Tomar em matérias como o emprego e desenvolvimento económico, a fixação da população, o desenvolvimento de políticas sociais ativas ou o desenvolvimento e projeção cultural e turística do concelho.
Seria expectável que num período de maiores dificuldades se procurassem alternativas de financiamento para novos investimentos que permitissem acrescentar qualidade de vida aos cidadãos do nosso concelho.
Na apreciação que fazemos das GOP e do Orçamento não se vislumbra uma política global de resposta à crise. Num momento em que Tomar necessita de uma resposta dos poderes públicos para suprirem as acrescidas dificuldades com que se deparam recebem noticias de diminuição e redução.
Reafirmamos que as Juntas de Freguesia vêm as suas verbas diminuídas para níveis que não são condizentes com as necessidades sentidas.
Sabemos que não é fácil elaborar um documento que agrade a todos e que ao mesmo tempo vá de encontro aos compromissos assumidos. Sabemos isso. Mas mesmo assim consideramos que as Opções do Plano e Orçamento para 2015 poderiam e deveriam ser mais ambiciosos no que concerne a apostas em estratégias e mecanismos de revitalização do tecido económico do Concelho, no apoio às famílias, aos jovens, aos desempregados.
Este não é decididamente o nosso orçamento.
Todavia não queremos ser acusados de “força de bloqueio” ou de não deixar a governação adotar a política que entende melhor para o concelho.
Não queremos porém ficar adstritos e “colados” a um orçamento que não quer o desenvolvimento e crescimento económico e social de Tomar e que teima em aumentar as despesas correntes do município de Tomar.
Vamos esperar que a aposta na vertente social seja de facto concretizada e não será pelo voto do PSD, antes pelo contrário, que esta questão não possa vir a ser implementada e desenvolvida.
Deste modo, tendo em conta os considerandos, optamos pela abstenção.

Tomar, 31 de Outubro de 2014

Os Vereadores do PSD

João Miragaia Tenreiro


António Manuel Gonçalves Jorge



Sem comentários:

Enviar um comentário